Amarelo Jaune

domingo, 16 de março de 2008

Long time, no see.






Ok. Depois de quase cinco meses out ...o amerelo jaune voltou. E desta vez com força total.

Para comemorar, que tal uma listinha de presentes?Vou aproveitar o grito de amor pelos livros lançado pela cantão no último desfile do Fashion Rio para fazer uma BOOK’s WISH LIST.
Antes de qualquer coisa, me sinto na obrigação de avisar que isso pode se tornar uma doença grave. A obsessão por livros é tão devastadora quanto a por sapatos ou bolsas... Você compra sem parar mesmo sabendo que não terá tempo para lê-los. Parabenizo aqui autores, editores e designers que os tornam cada vez mais irresistíveis.

1)LACHAPELLE, Heaven to hell : Um livro de fotografia que vale a pena. Como todo livro de fotografia, entra na categoria “arte” e pode ser um daqueles livros ideais para deixar na mesa da sala. Lindo e imponente. Serve como boa referência de um olhar pop para o cotidiano e/ou histórico.

2)Fashion Show: É um livro muito interessante para quem gosta de história e de entender o porquê das coisas. Quanto mais estudo mais certeza tenho de que nada é à toa, inclusive e especialmente no mundo da moda. O autor de Fashion show volta ao reinado de Luis XIV para entender porque Paris é Paris. Mostra por A + B como a capital do luxo foi construída e consolidada. Muito bom.

3)An illustrated history of fashion: Simplesmente sensacional. Se você gosta de artes plásticas e moda, não pode perder esta leitura. Ele conta a estreita relação entre os pintores mais famosos de cada época e a moda ...vai descobrir que a importância das artes plásticas não era apenas para o registro eterno das modas, mas também para a construção delas. O livro também fala sobre o inicio do jornalismo de moda no século XVIII e, conseqüentemente, o nascimento da ilustração de moda.

4)The Power of fashion, about design and meaning: Antropologia, filosofia, semiótica, sociologia, psicologia – são insights das mais sérias ciências tentando entender um fenômeno que já há muito tempo não é considerado como “fútil”: a moda. Gosto mais dos artigos de Barbara Vinken, do Gilles Lipovetsky, Patricia Calefato, José Teunissen, Karin Schacknat. Um dia escrevo no blog sobre todos eles...

5)Le costume français, tout La encyclopedie: como o próprio nome diz, é uma boa enciclopédia de moda. Importante para que realmente FAZ moda (estilistas ou figurinistas) não é um livro de reflexão. É didático e me parece bem completo.

6)Girls in pearls: Mais um livro bonito para deixar na mesinha da sala. São imagens de mulheres que usaram pérolas desde o renascimento aos anos 60. Lindo...toda vez que vejo esse livro digo “preciso AGORA de um brinco de pérolas”. Tão chic.

7)Modos de homens e modas de mulher: Já em 1983, Gilberto Feyre percebeu como funciona a moda brasileira...ela estuda a construção identidade e, logo, a estética e a moda do Brasil . Mostra como os hábitos de um país podem influenciar o gosto e busca por desejos (nem sempre alcançados). Ler Gilberto Feyre é definitivamente um habito saudável a qualquer brasileiro.

8)Costura invisível: Livro sobre ultimo desfile de Jum Nakao. Além de ser uma edição maravilhosa, este livro ajuda a entender um pouco o que o designer quis passar para o mundo da moda com sua performance. Posso dizer tive o prazer de estar neste desfile. Gostaria que todos tivessem a oportunidade de sentir um pouco da emoção daquele dia. Ele vem com DVD!

9)Moda,Roupa e tempo: Uma edição fofíssima com poemas de Drummond e ilustrações de Ronaldo Fraga. Aliás, a coleção do nosso “estilista intelectual” inspirada no poeta era liiiiiiiiinda. Não me conformo de não ter uma única peça.

10) Esta lista é infinita...para terminar, indico uma coleção recém lançada pela Cosac Naify com livrinhos sobre 5 estilistas brasileiros: Alexandre Herchcovitch, Gloria Coelho, Lino Villaventura, Ronaldo Fraga e Walter Rodrigues. Vemos tantos livros nas prateleiras sobre Chanel, Dior, YSL , entre outros grandes gênios internacionais. Porque não começar a registrar, com a devida valorização e autoria, a história da nossa moda?

Devo lembrar que a Cantão está com um projeto super bacana que incentiva a doação de livros e, inclusive, montou um posto de troca dentro de uma das lojas...mas eu, como uma boa consumidora, preciso confessar que não tenho todo este desprendimento material. Não gosto de ler livro dos outros porque tenho necessidade de rabiscar tudo e não tenho coragem de doar os meus JAMAIS.
Anyway, a campanha é super válida.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Matthew Barney - Some times I don´t get modern art...

Estamos todos ainda antenados nas atrações do Tim festival e um dos shows mais esperados e comentados foi o da Bjork. Ok. Ela pode ser super cool mas o motivo do meu post não será a cantora islandesa, mas seu marido: Matthew Barney.



Como era de se esperar de um artista no século XXI, Barney é multi: faz filmes, vídeos, instalações, esculturas, fotografias, ilustrações e performance - vem sendo descrito como principal herdeiro da arte performática dos anos 60 e 70. Ele, no entanto, prefere se intitular como um escultor e não é a toa que a hipertrofia metafísica e os limites físicos do corpo humano são inspirações constantes do seu trabalho. Como os gregos, Barney estuda minuciosamente o corpo e retrata criaturas fantásticas, como a mulher-gato e o homem-bode. Representa a mitologia do novo milênio baseada na construção de idéias opostas que se funde em uma unidade do (aparentemente) impossível. Para ele, o corpo humano seria tanto um instrumento esculturável como um órgão reprodutor. Assim, seu trabalho mais notório foi a exposição CICLO CREMASTER – fino músculo que levanta os testículos, entendido como símbolo da sexualidade masculina. Na amostra foram reunidos desenhos, esculturas, fotos, objetos e projeção de 5 filmes sobre o tema. Os vídeos aparentemente não tem enredo mas tem claros pontos relevantes sobre os estudos do artista. Um dos vídeos acontece na Isle of Man, famosa pelas corridas de carro. Imagens de carros em direções opostas e fadas super-musculosas, representa a tensão entre o homem e a máquina.

Maria Teresa Santoro conclui “Cremaster 4 sintetiza a metáfora das forças bipolares, exemplificadas nas corridas opostas, ascendente e descendente, no contraste entre corpo e máquina e suas forças, reunidos, no final das odisséias do homem e da máquina, em um terceiro composto dos dois pólos: uma forma criativa que conjuga a simetria de um real impossível.”

Representa o início da vida, no filme gravado no estádio de futebol de Bronco (onde passou sua infância) onde uvas formavam diagramas dos órgãos reprodutivos femininos e masculinos sobre a figura uterina estampada no campo. A vida começa e termina na mulhar. E, o fim, visto sob o olhar feminino, está presente em outro filme gravado em Budapeste quando mostra o sofrimento de Queen of Chain em estilo elizabetano quando morre o seu amado, o mágico Harry Houdini.

Barney explica o processo de criação: “Tudo começou a partir da escolha d e5 lugares que juntos formariam um único corpo. Eu fui até esses lugares e comecei a escrever estórias de criaturas referentes à essas locações. Outras figuras surgiram da minha própria mente a partir da concepção de corpos esculturais que necessitavam de um hospedeiro.”

Outro trabalho marcante foi o filme Drawing Restrait 9, no qual Bjork atua e colabora com a trilha sonora. Este foi bastante criticado por dar um tratamento superficial à cultura japonesa e pela atuação “desastrosa”. Outro crítico afirma ser “um filme sem embasamento sobre a cultura kitsch oriental que transforma Memórias de uma gueixa em um documentário etnográfico”.



Como todo artista de vanguarda, Matthew Barney é amado por uns e odiado por outros: Michael Kimmelman, critico do New York Times, o descreveu como “ o mais importante artista americano de sua geração.”

O próprio artista confessa que faz filmes sem um script completo. Sua arte expressa apenas a maneira como ele observa as coisas sem haver necessariamente uma consciência de tudo. Isso tudo me lembra o filme Cidade dos Sonhos que, com essa minha mania que sempre buscar o porquê de tudo, assisti várias tentando entender o roteiro e “que diabos David Lynch quer dizer com isso”. Fui vencida pelo cansaço e cheguei a conclusão de que o motivo principal do filme era essa inquietação (ou não!). De qualquer maneira, termino esse artigo respondendo Bucky no filme Dália Negra:

- Sometimes I don´t get modern art.
- Why do we need to get? Just feel it.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Cartão de visita do estilista CK Koo

Sempre gostei e colecionei cartões de visita. Tenho alguns amigos em que posso montar o currículo deles através dos cartões de visita de diferentes empresas que trabalharam.

Pesquisando aqui achei esse cartão de visita do estilista CK Koo que é bem legal. Não é exatamente super original, mas ele ficou bem gráfico.
São 5 lâminas presas por um ilhós, a base é a lamina amarela que tem uma silhueta com "roupas de baixo" e as lâminas transparentes tem roupinhas impressas, permitindo um total de 14 combinações de roupas diferentes.

Ainda mais considerando que "jogos de vestir" é uma das coisas mais procuradas no google como disse aqui. Talvez seja por isso que eles fizeram o cartão.




Agência: DDB Singapore
Diretor de criação: Terrence Tan
Designer: Teoh Sin Eng
Ilustrador: kuanth.com
Lançamento: 2007

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Pensamentos sobre figurino, o homem e as artes.

O que é figurino ?
Muitos dos figurinistas brasileiros e internacionais já tentaram resumir essa resposta em uma só frase. Uns dizem que é a roupa em favor da dramaturgia, outros dizem que é palavra, outros dizem que é comunicação, outros falam que é fazer roupas com pessoas e não para pessoas....Eu não sei. Existem várias definições e aspectos que compõem a construção do figurino e posteriormente a decodificação dos signos alí representados pelo espectador da peça, filme, balé ou qualquer outro programa onde haja a representação. Essa é a palavra : representação . Acredito que só há figurino onde há representação de algo e tudo começa desde os ritos das comunidades mais longinquas.

Anyway, para fazer figurino é necessária a busca de um tempo e um lugar e depois traduzir essa estória social para cada INDIVIDUO nela inserido. Mas quando o figurinista começa a se preocupar com a representação do eu de cada personagem ? Antes disso, o próprio homem teve que descobrir que sua personalidade poderia ser representada pela roupa. E antes disso ele teve que entender quem era esse eu da roupa. Ele teve que se descobrir. Ele teve que estudar a sua própria existência como indivíduo dentro de uma sociedade específica ( que pode moldá-lo ou não).

Acredito que tudo tenha começado no séclo XIX. O romantismo, diferente do neoclassicismo, propõe alguma preocupação com a representação da personalidade de cada figura pintada. A fotografia instigou a lógica da reprodução da realidade e o estudo da luz. Os impressionistas já não queriam mais reconstruir o objeto e começaram a trabalhar com a percepção do olhar ( e consequentemente com a subjetividade do artista). Paralelamente, nasce a psicanálise e a antropologia. O homem estava se observando e ao outro. O homem passa a ser o objeto de estudo. E o cubismo, renegando qualquer tipo de ilusionismo e naturalismo, é o golpe final em direção à libertação da verossimilhança e o início da simbologia visual.

Não foi à toa que Diaghilev chamou Picasso para fazer cenário e figurino dos seus tão famosos ballets russos. A simbologia do figurino ganha espaço...

E continuamos tentando definir o que é figurino.
E continuamos pensando.

Novo comercial colorido Sony Bravia

Os comerciais da Sony Bravia, uma televisão da Sony, sempre foram uma delícia, brincandeiras simples levadas a proporções absurdas. Superproduções e espetáculos visuais sem igual.

Começou com o famoso filme das bolinhas descendo ladeira abaixo, depois as explosões de tintas nas fachadas dos prédios, seguido pelos coelhinhos de massinha nas ruas e agora os carreteis de linha descendo as pirâmides.

"Colors like no other"

Ótimo conceito, produção magnífica, e um filme que não tem como se espalhar como um viral de tão grandioso que é.

Veja abaixo todos os quatro filmes do mais recente ao mais antigo.

Sony Bravia - Pyramid


Sony Bravia - Play doh


Sony Bravia - Paint


Sony Bravia - Bouncy balls

Produtos / gadgets retrô

Sempre curti coisas retro, vintage, 50s, 60s, 70s. Estéticas que sempre foram referência no meu trabalho.
As vezes aparecem uns produtos geniais com uma inspiração retro, uns que eu adoraria ter e outros que é acho bacana apenas a idéia mas jamais compraria.
Design de poltronas, sofás, aparelhos de som, carros, motos, estampas e etc antigo pode ser referência para produtos de hoje.


Inspirado pelo post do cafeina aqui, resolvi montar uma lista de alguns legais.

Pesquisando no http://www.retrotogo.com/ separei alguns interessantes:






Lego salt and pepper pots





Lamponi´s vintage Vespa headlight lamps






Warhol Banana Split dish




Francis Francis! X1 classic maquina de café expresso.






Space age Music Sofa





Garden Egg Chair (sempre adorei)






Razorblade Mirror




Sonic Chair - the ball chair with built-in speakers





Habitat's Barbara Hulanicki wallpaper

wallpaper from the 70s





Tom Dixon wallpaper for cole & son





Toasty - retro toaster like a cassette deck






Eero Aarnio Bubble Chair




Swedx wooden keyboard, mouse, lcd tvs and turntable.








segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Fashion Illustration

Já que ando sem tempo para ler e desenvolver posts muito profundos...ai vai um de muitas figurinhas:

A imagem me encanta. Quero sempre entender sua organização, traço e principalmente a simboligia e comunicação de pinturas, editoriais, filmes, ilustrações, etc. Assim, sigo sempre em busca pelo o design na moda. No livro « The age of feminine drawing » você pode encontrar ilustradores de moda super bacanas. A primeira coisa que me chama atenção é como os japoneses ( e demais orientais) dominam o mundo da moda e das demais artes. Eu já havia ficado impressionada com o grande número deles na fila A dos desfiles em Londres e a especial atenção para os designers orientais. Além deste livro específico apresentar vários artistas japas, a maioria das editoras optam por publicar versões bilingues dos livros de assuntos ligados a arte e design: inglês e japonês. E penso na parada obrigatória no Japão para aqueles que trabalham com moda. E penso nos anos 80, quando miake e yamamoto eram referência para quem era da vanguarda. E penso no início do século XX quando os impressionistas organizavam exposições com gravuras japonesas. E penso em vários momentos que o oritente esteve em voga....e tento entender o que acontece com a sociedade em cada um desses momentos para buscar inspitação do lado de lá do mundo.

Seria tudo isso somente uma busca antropológica constante pelo exotico e pelo outro quando não estamos nada satisfeitos com o nossa própria cultura ?
Seria esse povo realmente super criativo ?

Quero pensar a respeito da influencia oriental na história do ocidente. Eles, sem dúvida, tem muito para ensinar.

E deixo você com um dos ilustradores japoneses mais famosos no mundo da moda : Ohgushi bombou ao desenhar alguns dos modelo PUCCI para uma festa da marca, mas fez também parcerias com revistas de peso como NUMERO e ELLE japonesas, além de participar de exposições e trabalar com Shuemura.




































segunda-feira, 24 de setembro de 2007

GRUPO CORPO - TOP FIVE #4 e #5











4)BENGUELE e 21Não consigo definir qual desses dois balés é o mais importante, pois para mim traduzem a essência do grupo. O cenário e iluminação de benguelê, cujo tema era a raiz negra e a capoeira, é simplesmente incrível.... Juro que toda vez que assisto fico um bom tempo tentando entender aquele efeito da silhueta de uma fila de homens-aranha. Muito legal. Não preciso dizer que a música de João Bosco é perfeita. O caminhar e os pulinhos de benguelê são tradicionais e foram retomados em outras coreografias. Por falar em movimentos básicos do corpo, 21 veio com a andada com mãos para trás e o rebolado estalando os dedos (na foto) para marcar a memória do grupo. A brasilidade vem neste balé de 1992 para ser mais um ponto marcante de Pederneiras. Cenários e figurinos incríveis com pachwork e chitas!

GRUPO CORPO - TOP FIVE #3













3) O CORPOMão. Pé. Mão. Pé. Cabeça... O corpo humano era um tema inevitável. A música de Arnaldo Antunes, perfeita. A iluminação ritmada ajuda a compor o cenário. A coreografia vem com bastante chão, mas é dinâmica. Segue a linha do grupo que prima pelo movimento simples que, em conjunto, compõe uma visualidade genial. O balé é harmônico e o todo é bacana.
Para ver uma parte do ballet entre aqui.


GRUPO CORPO - TOP FIVE #2
















2)LECUONAOk. É o balé mais comercial do grupo...é diferente de tudo que eles fizeram mas ainda tem a “cara” dos mineiros. É difícil fazer um espetáculo inteiro somente com pás-de-deux e reter a atenção do público. Foi um desafio para um grupo cuja base de coreografia está em movimentos aparentemente simples mas que em conjunto proporcionam uma visualidade impactaste. É esta a magia de Paderneiras: a transformação e o poder do conjunto. Quando fez um espetáculo completamente diferente do que o publico estava acostumado a ver, acertou! Acertou lindamente. E o baile do final? Existe algo mais harmônico e emocionante do que todas aquelas meninas de branco depois de um espetáculo inteiro de cores fortes com um cenário de espelhos refletindo uma surpreendente luz no final? Aliás parabéns especial a Freuza pelo figurino narrativo deste balé: vestidos lindos expressando a personalidade das mulheres de cada estória dos pás-de-deux: a romântica, a forte, a alegre, a sofrida, a mandona. Na dança mais dramática em que a cantora confessa ter ciúmes até do ar que o amado respira (“celos siento celos dela ire...”), o negro e a ausência de cor. E para o baile final, todas entram de branco para iluminar o público unindo todos os sentimentos (e cores) da vida em casal que foram apresentados durante o espetáculo. O cenário dá a cartada final...paredes espelhadas se movem refletindo a luz na platéia. Simplesmente maravilhoso.
Nas fotos, meus pás-de-deux preferidos.
Para ver uma parte do espetáculo entre aqui.





quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Da passarela para a loja : medo da rua !







Todo mundo aqui sabe que “algumas” marcas brasileiras simplesmente absorvem a tendência internacional sem adaptar a moda à realidade do país. Isso não é novidade: desde a época do Império aprendemos a olhar para a Europa, como um exemplo de civilização, e adotar modas sem pensar na sua inadequação para os trópicos.

Isso tudo pode até ser aceitável, já que vivemos em um mundo globalizado, quando se trata de um desfile mais conceitual cujas peças serão editadas e adaptadas para algo mais "comercial”. O que me assusta é quanto a equipe de estilo resolve enlouquecer e colocar na loja peças que não se adequam ao público alvo da marca. Uma coisa é uma Maria Bonitona, por exemplo, ter peças ditas conceituais que estão lá para serem compradas por quem sabe usar, outra coisa é uma Cantão, por exemplo, vender algo que as clientes poderão interpretar erroneamente. Não é a proposta da marca e nem do público comprar tendências difíceis!

Um exemplo disso é a tal calça jeans justa com a cintura altíssima. Ela está na vitrine de todas lojas teen. Sem preconceitos (ou não), mas você realmente acha que uma típica adolescente carioca vai saber usar uma calça dessas???? Medo de ver coisas bizarras em Ipanema. Afinal, essa é uma peça que exige tronco longo e mulheres magras, o que não é exatamente o tipo da brasileira. E aquele tipo de roupa que precisa ter uma postura especifica para segurar o look. É o velho dilema que citei no post aqui. sobre a importância da pessoa que veste a roupa. Já viu o que vai aparecer por ai, ne?

Apesar de tudo, fiquei muito feliz com a matéria da última edição do Ella (por Carolina Isabel Novaes e Melina Dalbone), em vários profissionais da área davam dicas de como usar e quem não pode aderir a algumas das tendências mais vistas (e complicadas) nas passarelas brasileiras como a hot pant e o balonê. Parabéns Patricia. Esta edição, inclusive, estava toda muito bacana.

Assim, já que as marcas não se preocupam com o resultado de sua moda na rua (o interesse talvez se reduza até a peça sair da loja), acredito que cabe a nós, jornalistas, informar o leitor sobre os perigos e possibilidades dos últimos e tentadores lançamentos.

Espero que todas leiam a matéria do Ella.

Hussein Chalayan

foto de Hussein Chalayan
foto © Andreas Kokkino

Há alguns poucos desfiles que apresentam não somente as peças da coleção de uma marca, mas um conceito. Desses desfiles há alguns poucos em que apresentam algo inovador. Desses alguns que apresentam um conceito inovador e bom.

Hussein Chalayan, a maioria das pessoas do mundo da moda deve conhecê-lo, no seu penúltimo desfile onde apresentou vestidos que se transformam ele realmente ganhou a midia internacional.

Um dos mais experimentais e conceituais estilistas do momento, nasceu em 1970 na Nicósia, e estudou na Inglaterra.

Vestido que foi "engolido" pelo chapéu deixando a modelo nua na passarela.


Hussein Chalayan é um daqueles artistas que consegue fazer uma apresentação que pode ser considerada uma síntese de vários fatores, sociais, políticos e econômicos. Um daqueles momentos que marcam a história e influenciam diversas áreas.

foto: © Chris Moore

foto: © Chris Moore

foto: © Chris Moore


Abaixo seguem os vídeos dos dois últimos desfiles:
- O primeiro, mais antigo é onde ele fez a magia da transformação, como uma evolução. Muito inpressionante.

- O segundo é o último do verão de 2008, onde ele usa uma batida mais tecnologica e utiliza uns LEDs para iluminar as roupas.




Visite o website de Hussein Chalayan e veja as imagens de todos os desfiles desde 1994. Aproveite e entre no Online shop e confira a coleção de camisetas.